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Educação Musical


Esse espaço foi criado para compartilhar opiniões e discussões sobre música com o desejo de encontrar pessoas que, como eu, buscam novas idéias e novos caminhos para a educação musical.
Acredito que experiências compartilhadas são de extrema riqueza para o aperfeiçoamento de cada um de nós, como pessoas e como educadores, responsáveis pela formação de outras pessoas.
A música faz parte de minha vida há muitos anos...na verdade, acho que sempre fez, desde a minha infância! De repente, quase num piscar de olhos, passei de aluna a professora...talvez nem tenha sido uma escolha...acho que fui eu a escolhida! E, a partir desse momento, tornou-se minha profissão... definitivamente!
As experiências foram muitas e muito diferentes umas das outras, o que me fez pesquisar muito, sempre. Fui modificando e construindo o meu perfil...o que tenho hoje...como educadora musical e não mais como pianista ou professora de piano.
Saí das escolas especializadas de música e mergulhei na educação, de corpo e alma!
Há 11 anos trabalho com música em escolas regulares de ensino, com crianças de educação infantil e fundamental I. Travei muitas batalhas comigo mesma para encontrar um caminho que fosse coerente com o que eu pensava sobre o ensino de música para crianças. Deixei muitas certezas de lado...tive muitas angústias...busquei de várias formas "a música" que eu gostaria de ensinar. Não encontrei uma certeza absoluta e nem conquistei definitivamente um caminho. Mas acho que me despojei de "purismos" e de crenças elitistas a respeito da linguagem musical.
Hoje trabalho com projetos e parcerias com outros profissionais da escola. Faço parte de um grupo de estudos sobre educação musical onde buscamos fundamentos para nossas teorias numa busca incessante (e, eu diria, eterna!) de enriquecer nossa formação como educadores musicais.

22:22:00
de Lucia Figueiredo
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sábado, 15 de janeiro de 2011

AS PROPRIEDADES DO SOM ... POR QUE PREOCUPAR-SE TANTO COM ELAS?

Ainda é muito difundida a idéia de que o trabalho de musicalização com crianças de educação infantil tem que ser apoiado nas propriedades do som. Encontramos esse conteúdo citado em programas de escolas especializadas em música e em escolas regulares e são muitos os educadores que ainda “treinam” os seus alunos acreditando que estão desenvolvendo neles habilidades muito importantes.
Musicalizar é proporcionar o contato com a linguagem musical de forma ampla, despertando a sensibilidade e a consciência para a existência de um universo sonoro rico e interessante. Musicalizando auxiliamos a criança na construção de seu conhecimento musical.
Em qualquer trabalho musical está implícito o trabalho com as propriedades do som já que são suas características inerentes e, portanto, inseparáveis do som. Não existe som que não tenha qualidades e não existem as qualidades separadas do som.
Quando escolhemos apresentar o universo sonoro-musical para as crianças, precisamos refletir sobre a imensa responsabilidade que temos em nosso trabalho. O início de qualquer coisa determina, muitas vezes, o caminho a seguir, ou seja, gostar ou não de música está ligado, muitas vezes, à forma como elas – a música e a criança – foram apresentadas. Se, ao apresentarmos a música à criança, tivermos em mente que isso tem que ser muito bom, ou seja, que as experiências precisam ser gratificantes, certamente estaremos no caminho certo. Mas só isso ainda não basta: temos que pensar também que as experiências têm que ser significativas, ou seja, elas precisam fazer sentido para a criança.
Quando penso em um trabalho de musicalização, penso em exploração sonora, pesquisas, criações, invenções, brincadeiras, canções ... entre outras tantas manifestações que a música nos oferece. Por que definir e classificar se ainda precisamos explorar? Por que limitar se podemos expandir? Por que especializar se podemos nos aventurar em um mundo tão rico de possibilidades?
Acho que as propriedades do som são menos importantes do que a pompa que o próprio nome nos traz. Parece que na ânsia de provar que temos coisas sérias a ensinar para as crianças, escolhemos assuntos técnicos demais. Ao explorar, interpretar, criar e apreciar estaremos, com certeza, nos deparando com o timbre, com a altura, com a intensidade e com a duração do som e, se isso acontecer dentro de um contexto, podemos apontá-las, por que não? Mas, se ficarmos presos a treinar os ouvidos para perceber se o som é grave ou agudo, se é forte ou fraco, se é longo ou curto empobreceremos muito o nosso trabalho.

Como diz Rubem Alves, tão sabiamente:
“Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.”

Assim também deve ser com as propriedades do som! Primeiro é preciso ouvir, cantar, dançar, tocar, explorar, brincar com a música. Para as crianças devemos apresentar a música em sua simplicidade para depois, com o tempo, sentirem-se à vontade para saber mais!
Se conseguirmos despertar em nossos alunos a vontade de apreciar música, mesmo que não se tornem músicos, teremos feito um ótimo trabalho! Se as crianças conhecerem repertórios interessantes e variados, se gostarem de cantar, de brincar de roda, de dançar com os amigos, se tiverem interesse pelas tantas músicas que nos rodeiam durante toda a nossa vida, certamente serão amantes da música e certamente terão levado consigo uma sementinha que alguém plantou, lá na educação infantil quando, pela primeira vez, foram apresentados formalmente à linguagem musical. Formalmente porque antes, muito antes, já haviam sido acalentados com canções de ninar, já haviam brincado de serra serra no colo do pai ou da avó, já haviam se interessado por algum objeto que se parecesse com um tambor e, batucando, descoberto que podiam fazer um som e que isso era muito bom!

4 comentários:

Isabela disse...

Oi Lúcia!

Devo dizer que concordo muito contigo, mas não é todo profissional que consegue trabalhar assim. Algumas escolas exigem tantas coisas, tantos protocolos, tantas festinhas, tantas avaliações... e acabam não deixando o professor livre para montar sua aula do jeito que gostaria, explorar as potencialidades de uma experiência musical como gostariam. Digo isso porque já passei por isso.

Não sei se você já percebeu, mas já vi alguns professores de musicalização trabalharem a esmo, sem ter ao menos o trabalho das propriedades do som como linha guia. Sentam na roda e cantam canções aleatórias, só entregam chocalinhos para as crianças, dão aulas de 15 minutos (que deveriam durar ao menos 30)...

Agora me diga, o que você acha disso? Acha que o trabalho de musicalização é só cantar, dançar, bater palminha, fazer teatrinho com fantoches, jogos e brincadeiras ou realmente fazer a criança passar pela experiência de tocar, além de ouvir e sentir a música? Claro que de forma livre da obrigação de se ler uma partitura e interpretar os símbolos musicais... digo "tocar" mesmo que de uma maneira lúdica.

O que achas?

Um grande abraço,

Isabela.

Lucia Figueiredo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucia Figueiredo disse...

Isabella! Acho que cantar, dançar, brincar de roda, brincar com fantoches, ouvir histórias, tocar, explorar sons ... tudo isso e muito mais ... faz parte de uma educação musical ampla, de qualidade! Acho que é necessário adequar os conteúdos e as formas de apresentar esses conteúdos à faixa etária trabalhada mas, com certeza, existem muitas formas de se trabalhar com música desde que haja consciência e competência. Não acredito que para aprender música é imprescindível tocar um instrumento! Até porque, como ficariam os bebês e as crianças pequenas que ainda não têm habilidades para tocar?
Sabe, Isabella, nós precisamos nos despojar de purismos e entender que a educação musical vai muito além de tocar um instrumento!
Quanto às questões das exigências das escolas sobre festinhas e comemorações, acho que não tem jeito. O que podemos fazer (e eu faço isso qd é necessário) é trabalhar da forma como queremos, escolher um bom repertório e apresentar. Não tem problema apresentar... faz parte do universo musical! E, com relação àqueles profissionais que não têm nenhum parâmetro para trabalhar ... que pena! Não podemos resolver tudo, mas podemos cuidar da qualidade de nosso próprio trabalho, pelo menos. Um blog com discussões também serve para despertar nas pessoas a vontade de refletir mais sobre o que fazem! Assim como nós estamos fazendo agora!

Bj

Jose Henrique Nogueira disse...

Não resta dúvida que as propriedades do som oferecem muitas possibilidades de atividades. Mas concordo que as vezes cai no lugar comum. Cai no "piloto automático" , e quando nos damos conta estamos com ele ligado, e a criatividade, a arte e o belo da música se distancia de nossa prática.

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