Esse espaço foi criado para refletir sobre educação musical. Sua opinião é muito importante!!! Critique ... elogie ... repense ...

Educação Musical


Esse espaço foi criado para compartilhar opiniões e discussões sobre música com o desejo de encontrar pessoas que, como eu, buscam novas idéias e novos caminhos para a educação musical.
Acredito que experiências compartilhadas são de extrema riqueza para o aperfeiçoamento de cada um de nós, como pessoas e como educadores, responsáveis pela formação de outras pessoas.
A música faz parte de minha vida há muitos anos...na verdade, acho que sempre fez, desde a minha infância! De repente, quase num piscar de olhos, passei de aluna a professora...talvez nem tenha sido uma escolha...acho que fui eu a escolhida! E, a partir desse momento, tornou-se minha profissão... definitivamente!
As experiências foram muitas e muito diferentes umas das outras, o que me fez pesquisar muito, sempre. Fui modificando e construindo o meu perfil...o que tenho hoje...como educadora musical e não mais como pianista ou professora de piano.
Saí das escolas especializadas de música e mergulhei na educação, de corpo e alma!
Há 11 anos trabalho com música em escolas regulares de ensino, com crianças de educação infantil e fundamental I. Travei muitas batalhas comigo mesma para encontrar um caminho que fosse coerente com o que eu pensava sobre o ensino de música para crianças. Deixei muitas certezas de lado...tive muitas angústias...busquei de várias formas "a música" que eu gostaria de ensinar. Não encontrei uma certeza absoluta e nem conquistei definitivamente um caminho. Mas acho que me despojei de "purismos" e de crenças elitistas a respeito da linguagem musical.
Hoje trabalho com projetos e parcerias com outros profissionais da escola. Faço parte de um grupo de estudos sobre educação musical onde buscamos fundamentos para nossas teorias numa busca incessante (e, eu diria, eterna!) de enriquecer nossa formação como educadores musicais.

22:22:00
de Lucia Figueiredo
Excluir
1 – 1 de 1

quinta-feira, 29 de março de 2012

MÚSICA NAS ESCOLAS... SERÁ QUE É PRA VALER?

A partir de uma alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) – Lei nº 11.769 de 18 de agosto de 2008 – a música passou a ser conteúdo obrigatório em toda a Educação Básica, a partir de 2012. Encontramos, porém, diversas indefinições acerca dessa nova exigência legal. A música será uma disciplina independente ou integrada ao ensino de artes? Quem deverá ministrar as aulas de música, o professor de artes ou o professor polivalente? Quais serão os conteúdos musicais que deverão ser ensinados aos alunos? Essas e muitas outras perguntas certamente povoam a mente de todos os envolvidos nesse assunto, pais, alunos, professores e gestores.
Será uma volta, a música nas escolas? “Volta é retorno a algo já ocorrido. Nesse caso, pode significar o retorno ao Canto Orfeônico, freqüentemente criticado em nossos dias, mas que representou a efetiva inclusão da música no currículo. Não cabe aqui questionar o trabalho proposto por Villa-Lobos, mas parece bastante óbvio que os educadores não querem a repetição daquele modelo didático. Porém, aparentemente, quando a sociedade clama pela volta da música nas escolas, é esse, muitas vezes, o modelo esperado ou subentendido.” (Sobreira, 2008, pag.45)
O percurso percorrido pela música na escola nos aponta um caminho sinuoso e difícil ao longo da história. Ora inserida como canto orfeônico, ora incluída na disciplina “Artes”, ora excluída totalmente do currículo escolar, o ensino de música sempre ficou relegado a um segundo plano dentro das escolas regulares. Ainda é temerário que isso continue acontecendo pela forma como está sendo conduzida essa questão. Marisa Fonterrada, docente do Instituto de Artes da UNESP (SP) e autora do livro “De tramas e fios – Um ensaio sobre música e educação” argumenta que: “embora haja um considerável aumento de iniciativas e bons projetos, ainda não há uma política nacional firmemente sedimentada que ampare o retorno da música às escolas, e nem profissionais habilitados em número suficiente para levar adiante esse projeto.” (Fonterrada apud Sobreira, 2008, pag. 50).
É claro que toda mudança tem um tempo de carência para acontecer realmente e também é compreensível que algumas acomodações se façam necessárias para acolher as novas mudanças. Mas algumas medidas emergenciais precisam ser colocadas em prática para que o projeto seja iniciado e que tenha condições de seguir em frente.
Gostaria de analisar algumas questões que estão diretamente relacionadas a esse assunto. Em pesquisas recentes, pôde-se constatar que o número de licenciados em música atualmente não é suficiente para ocupar as possíveis vagas de professor de música nas escolas públicas. Mesmo considerando aqueles com formação técnica, sobrariam vagas. O profissional licenciado em Educação Artística não tem formação suficiente para ensinar música, já que o currículo desse curso privilegia o trabalho com artes visuais. O professor polivalente, em sua grande maioria, não possui sequer vivências musicais e, portanto, também não tem suporte teórico e prático para assumir as aulas de música. O que fazer para solucionar essa questão? Acredito que posturas radicais não resolverão o problema, mas não podemos desconsiderar o direito dos profissionais (músicos e educadores musicais) de pleitear o seu lugar nas escolas. Então estamos vivendo um impasse: de um lado, os professores polivalentes, com muita angústia e ansiedade por não saberem como resolver a questão que, de certa forma, está em suas mãos; de outro, os profissionais especialistas em música indignados e brigando por seus direitos; no meio, os licenciados em educação artística, assumindo uma função que, se já foi sua um dia, não é mais, já que a “Música” é considerada como uma disciplina específica dentro do campo “Artes” e, portanto, não é de sua competência também.
Podemos fazer uma distinção entre “ensinar música” e “usar a música”, o que, certamente, pode elucidar alguns pontos e chegar a um meio termo nessa discussão. “Ensinar música” é uma tarefa daquele profissional que conhece a linguagem musical, tanto em seus aspectos teóricos, quanto em seus aspectos práticos, inclusive dominando a técnica de tocar algum instrumento musical ou de usar a voz. Segundo Keith Swanwick, inglês, autor do livro “Ensinando Música Musicalmente”, em entrevista para a revista Nova Escola e questionado sobre a necessidade do professor de música ser músico, responde: “Evidentemente, não precisam ser pianistas de concerto. Mas é fundamental saber tocar um instrumento porque isso é muito útil na sala de aula. Ajuda a exemplificar e a responder as dúvidas, entre outras coisas. Além disso, é preciso entender muito bem do assunto, ter conhecimentos de História da Música, saber relacionar diferentes momentos históricos e estilos e construir uma visão crítica sobre o tema.”
“Usar a música” é tarefa de quem quer descobrir meios de fazer isso de forma enriquecedora, aproveitando a música para enriquecer os seus projetos ou simplesmente ouvindo música com seus alunos, em momentos diversos, dentro do cotidiano escolar. Soluções a curto prazo não existem mas podemos vislumbrar algumas formas de melhorar essa situação de passagem, de acomodação do projeto, até que surja alguma “luz no fim do túnel”! Contratar um professor de música para cada escola seria uma forma interessante de proporcionar um apoio ao trabalho do professor polivalente, dando a ele suporte para a escolha do repertório, oferecendo vivências musicais e, portanto, dando segurança a esses professores para que possam lidar com a música de uma forma mais consistente e prazerosa. Outra maneira seria a de estabelecer parcerias entre as escolas públicas regulares e escolas técnicas ou faculdades de música, garantindo a qualidade na execução de projetos voltados à linguagem musical. Em um congresso da ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical), em Três Corações (MG), em 2009, pude assistir a apresentações de trabalhos relacionados a isso: escolas de música dando apoio e oferecendo aulas de música para os alunos de escolas regulares que não podiam ou não tinham interesse em contratar o professor especialista.
Continuo acreditando que quem deve “ensinar música” é o profissional de música, conhecedor da linguagem musical e apto a oferecer vivências ricas e interessantes para os alunos. No entanto, não podemos nos deixar contaminar com radicalismos que acabam acontecendo e promovendo ações excludentes com relação aos próprios músicos e educadores que não possuem graduação. Não acredito que seja de forma radical que estaremos contribuindo para encontrar soluções para essa situação! Imaginemos um projeto social como o Olodum, no Rio de Janeiro, tendo que substituir seus músicos por licenciados em música!
Os problemas são muitos, as polêmicas também, mas, enquanto isso tudo não se resolve, podemos buscar algumas soluções para que a iniciativa não seja em vão e para que esse projeto não aconteça, mais uma vez, apenas no papel.



REFERÊNCIAS

http://revistaescola.abril.com.br/arte/fundamentos/entrevista-keith-swanwick-sobre-ensino-musica-escolas-instrumento-musical-arte-apreciacao-composicao-529059.shtml

SOBREIRA, Sílvia. Reflexões sobre a obrigatoriedade da música nas escolas públicas. Revista da ABEM, Porto Alegre, V. 20, 45-52, set. 2008.

sábado, 16 de julho de 2011

PARCERIAS E PROJETOS NA EDUCAÇÃO MUSICAL O profissional especialista e o professor polivalente

O profissional especializado quase sempre é um solitário dentro das escolas. O seu trabalho, por ser específico, é pouco compreendido e valorizado pela equipe docente. Assim acontece com a música, com a educação física, com as artes plásticas e visuais, com o circo, com o teatro. Só se compartilha o que está acontecendo quando tem uma exposição, uma apresentação, uma competição. De um lado, o professor especialista trabalhando sozinho, refletindo e agindo como se não fizesse parte de uma equipe; de outro lado, os outros professores, também deixando de incluí-lo como parte da equipe. Assim, profissionais que trabalham dentro de um mesmo espaço físico e educativo não interagem, deixando de compartilhar idéias e projetos que poderiam acrescentar muito à educação, de uma forma geral. Esse cenário, onde o professor especialista trabalha sozinho, é muito comum dentro das escolas regulares.
A música, mais que uma disciplina específica, pode transitar entre diversos conteúdos e, longe de deixar seus conteúdos específicos de lado, pode trabalhá-los dentro de contextos mais amplos, incluindo-se em alguns eixos trabalhados e sugeridos pelos RCN’s* e PCN’s**: linguagem oral e escrita, conhecimento de mundo, natureza e sociedade, para a educação infantil e meio ambiente, pluralidade cultural, língua portuguesa, para o ensino fundamental, só para citar alguns.
Durante muito tempo a música esteve fora do currículo escolar e agora, com seu possível retorno às escolas regulares, tem se discutido muito sobre como incluí-la realmente. O que muda no cenário da educação musical é o contexto onde esse ensino acontece e acontecerá e, tratando-se de escolas regulares e não de escolas especializadas em música, todo o conteúdo musical terá que ser repensado para que possa acontecer de forma interessante.
Em educação musical temos muitas vertentes na concepção do que seria “educar musicalmente” uma criança. Através de pesquisas e estudos, cada educador pode escolher aquela ou aquelas que mais se relacionam com o que pensa sobre uma educação musical de qualidade. De qualquer forma, o que não se pode esquecer é que essa educação estará acontecendo dentro de uma escola regular e isso faz toda a diferença. A escola especializada em música, por mais que tenha a preocupação de oferecer um ensino amplo, priorizando vivências musicais diversas, tem o compromisso de ensinar técnicas musicais específicas de algum instrumento musical. Também lida com um público diferenciado porque, se está lá, de alguma forma prioriza a educação musical e tem interesse em tocar algum instrumento musical, mesmo que isso, em longo prazo, não aconteça realmente. A educação musical na escola regular tem que fazer parte de um contexto educacional onde outras prioridades devem ser consideradas a priori. Na educação, de forma geral, temos que nos preocupar em formar o aluno integralmente, oferecendo a ele oportunidades diversas e interessantes. Assim, a música, longe de formar músicos, tem que priorizar as experiências musicais diversas, como ouvir, dançar, cantar, tocar, refletir, ampliar o repertório, brincar, entrar em contato com músicas brasileiras e de outras culturas. Dessa forma, estaremos garantindo ao aluno experiências ricas e, mesmo que ele queira tocar um instrumento, pode fazê-lo em outros momentos, em outros contextos e para isso estão indicadas as escolas especializadas, os grupos e oficinas musicais.
A partir dessas considerações, podemos observar a importância de lutar por um trabalho musical contextualizado, integrado às outras áreas, que possa fazer parte efetivamente do currículo escolar, deixando de ser repertório para festinhas e comemorações ou adorno para outros projetos dos quais não faz parte. A educação musical precisa ser tratada com importância e respeito dentro da educação e, se desta vez, não voltar ao currículo escolar de outra forma, mais uma vez será deixada de lado e continuará sendo tratada como supérflua.
O ambiente escolar oferece a oportunidade do trabalho em equipe, formada por profissionais de diversas áreas do conhecimento. Para que isso aconteça é preciso criar parcerias entre os profissionais da educação, com disponibilidade para aprender uma nova forma de trabalhar. Parceria é algo que todos os envolvidos precisam querer, não importando de quem seja o primeiro passo, mas sim que haja um primeiro passo.
O trabalho em parceria é um trabalho novo, imbuído de desejo de pesquisa e de busca de novas formas de lidar com o conhecimento. É saber que não existe nada pronto, que tudo está por aprender e todos os caminhos estão para trilhar; que todos podem aprender juntos, na mesma busca de conhecimento.
Criar uma parceria não é fácil e nem simples, mas quando isso acontece, realmente, pode ser muito bom. Não existem fórmulas e nem regras a seguir, mas o desejo e a necessidade de trabalhar junto com alguém, de partilhar alguma coisa, de não correr o risco de ter que pensar tudo sozinho. É saber que todo conhecimento tem muitos lados e pode ser visto por muitos olhares atentos, de vários ângulos, por vários prismas. É acreditar que juntos podemos fazer muito mais, alunos e professores, na busca incessante de enriquecer o nosso universo com fazeres e vivências boas.
A música é privilegiada porque pode permear todas as áreas do conhecimento, sem que para isso tenha que perder as suas especificidades. Com música podemos viajar por diversas épocas da história da humanidade, ressaltar a importância de preservar a natureza, conhecer poemas e cantá-los em canções só para citar alguns entre outros tantos assuntos e interesses escolares. Será um desperdício que se trabalhe com música isoladamente dentro de uma escola, espaço de tantos educadores com vontade de ensinar e aprender! Será um desperdício que continuemos a pensar a educação de forma tão engessada e tão distante de provocar o brilho nos olhos daqueles que aprendem e daqueles que ensinam!
A música não é a redentora do conhecimento, da boa escola ou do bom educador, mas, pode “olhar” para os conteúdos de forma diferenciada porque é arte e como arte transcende e transforma.
Assim, defendo as parcerias porque a união de educadores pensantes e reflexivos pode modificar a educação e modificando a educação podemos modificar a escola e os indivíduos que passam tanto tempo dentro dela, alunos e professores.
Trabalho em parceria há alguns anos, em escolas regulares, e só tenho tido ganhos com isso, tanto para a minha formação como educadora musical quanto para a formação dos meus alunos. Quanto aos outros educadores que trabalham ou trabalharam junto comigo, tenho certeza que muitos também se enriqueceram, especialmente aqueles que realmente se envolveram no trabalho.

* RCN's - Referenciais Curriculares Nacionais
**PCN's - Parâmetros Curriculares Nacionais

sábado, 29 de janeiro de 2011

A MÚSICA NAS ESCOLAS ... continuando ...

Apesar de não concordar com o "ensino" de música nas escolas pelos professores não especialistas, acredito que a música não deva ser considerada como propriedade de músicos ou de educadores musicais! Aliás, a música está em toda parte, o tempo todo, inclusive nas escolas.
A questão é sobre como fazer acontecer o ensino de música nas escolas de forma interessante.
Sabemos que não existem profissionais licenciados em música em número suficiente para suprir as vagas que poderiam existir para as escolas públicas. Sabemos, também, que o professor polivalente ou o professor de educação artística não têm formação específica em música e isso pode ser um entrave para o seu ensino.
Estamos num impasse! Como fazer acontecer, então, a educação musical nas escolas, inserida no currículo escolar?

Acho que a primeira atitude que nós, educadores musicais, devemos tomar é nos unirmos para refletir sobre a situação. Mas, para isso, precisamos reunir toda a população de profissionais que atuam na área musical: bacharelados, licenciados, com formação técnica e outros tantos ...

Observo que diante dessa situação, os profissionais que possuem um diploma de licenciatura em música estão tomando a frente de uma luta que se tornou partidária e excludente. Acho que essa atitude é, no mínimo, elitista e descontextualizada.

Ora, o Brasil é um país de várias culturas e de várias camadas sociais. Existem lugares onde nem mesmo a educação básica acontece. Como exigir que apenas profissionais altamente especializados assumam a educação musical nas escolas?

Acho que não vale, nesse momento, a política do "tudo ou nada" porque todos sairemos perdendo!
Devemos lutar pela inclusão do profissional de música nas escolas, todos aqueles que têm condições de trabalhar nessa área e não apenas os poucos que possuem um diploma universitário. Onde ficariam aqueles que fizeram ótimos cursos técnicos e que já atuam na área há muitos anos? Estaríamos invalidando cursos e escolas importantes, responsáveis pela formação de muitos músicos e professores de música em nosso país!

Acredito na luta pela educação musical, mas uma luta sobretudo humana onde a discriminação não tenha lugar. Acredito que, unidos, podemos conseguir reverter a situação porque, certamente, os profissionais de educação artística e os professores polivalentes devem estar em uma situação muito difícil e precisando de ajuda!


A música já está na escola e sempre esteve! A luta é pela educação musical de qualidade, que tenha como meta principal as vivências musicais!

sábado, 15 de janeiro de 2011

AS PROPRIEDADES DO SOM ... POR QUE PREOCUPAR-SE TANTO COM ELAS?

Ainda é muito difundida a idéia de que o trabalho de musicalização com crianças de educação infantil tem que ser apoiado nas propriedades do som. Encontramos esse conteúdo citado em programas de escolas especializadas em música e em escolas regulares e são muitos os educadores que ainda “treinam” os seus alunos acreditando que estão desenvolvendo neles habilidades muito importantes.
Musicalizar é proporcionar o contato com a linguagem musical de forma ampla, despertando a sensibilidade e a consciência para a existência de um universo sonoro rico e interessante. Musicalizando auxiliamos a criança na construção de seu conhecimento musical.
Em qualquer trabalho musical está implícito o trabalho com as propriedades do som já que são suas características inerentes e, portanto, inseparáveis do som. Não existe som que não tenha qualidades e não existem as qualidades separadas do som.
Quando escolhemos apresentar o universo sonoro-musical para as crianças, precisamos refletir sobre a imensa responsabilidade que temos em nosso trabalho. O início de qualquer coisa determina, muitas vezes, o caminho a seguir, ou seja, gostar ou não de música está ligado, muitas vezes, à forma como elas – a música e a criança – foram apresentadas. Se, ao apresentarmos a música à criança, tivermos em mente que isso tem que ser muito bom, ou seja, que as experiências precisam ser gratificantes, certamente estaremos no caminho certo. Mas só isso ainda não basta: temos que pensar também que as experiências têm que ser significativas, ou seja, elas precisam fazer sentido para a criança.
Quando penso em um trabalho de musicalização, penso em exploração sonora, pesquisas, criações, invenções, brincadeiras, canções ... entre outras tantas manifestações que a música nos oferece. Por que definir e classificar se ainda precisamos explorar? Por que limitar se podemos expandir? Por que especializar se podemos nos aventurar em um mundo tão rico de possibilidades?
Acho que as propriedades do som são menos importantes do que a pompa que o próprio nome nos traz. Parece que na ânsia de provar que temos coisas sérias a ensinar para as crianças, escolhemos assuntos técnicos demais. Ao explorar, interpretar, criar e apreciar estaremos, com certeza, nos deparando com o timbre, com a altura, com a intensidade e com a duração do som e, se isso acontecer dentro de um contexto, podemos apontá-las, por que não? Mas, se ficarmos presos a treinar os ouvidos para perceber se o som é grave ou agudo, se é forte ou fraco, se é longo ou curto empobreceremos muito o nosso trabalho.

Como diz Rubem Alves, tão sabiamente:
“Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.”

Assim também deve ser com as propriedades do som! Primeiro é preciso ouvir, cantar, dançar, tocar, explorar, brincar com a música. Para as crianças devemos apresentar a música em sua simplicidade para depois, com o tempo, sentirem-se à vontade para saber mais!
Se conseguirmos despertar em nossos alunos a vontade de apreciar música, mesmo que não se tornem músicos, teremos feito um ótimo trabalho! Se as crianças conhecerem repertórios interessantes e variados, se gostarem de cantar, de brincar de roda, de dançar com os amigos, se tiverem interesse pelas tantas músicas que nos rodeiam durante toda a nossa vida, certamente serão amantes da música e certamente terão levado consigo uma sementinha que alguém plantou, lá na educação infantil quando, pela primeira vez, foram apresentados formalmente à linguagem musical. Formalmente porque antes, muito antes, já haviam sido acalentados com canções de ninar, já haviam brincado de serra serra no colo do pai ou da avó, já haviam se interessado por algum objeto que se parecesse com um tambor e, batucando, descoberto que podiam fazer um som e que isso era muito bom!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

EDUCAÇÃO MUSICAL NAS ESCOLAS ... MAIS UMA MENTIRA!

A iniciativa de incluir a música no currículo da escola regular é um grande avanço para a área musical e reconhece a importância da música dentro da educação. Como educadora musical, trabalhando em escolas regulares há quase 13 anos com educação musical, acolho a iniciativa com alegria e preocupação, o que explicarei mais à frente.
Fazendo um breve retorno à história da música no Brasil, por volta de 1930, Heitor Villa-Lobos, convidado por Anísio Teixeira, implanta a música e o Canto Coral nas escolas. Em 1961, 30 anos depois, com sua morte, a música passa a ser matéria opcional nessas mesmas escolas. Dez anos depois, a música foi incluída na disciplina Educação Artística, junto com trabalhos manuais e desenho, sendo ensinada (?) aos alunos pelo professor formado nessa área ou pelo professor polivalente. Com o tempo e com a ineficiência do ensino da música pelo professor não habilitado para exercer a função, a música passou a ser considerada supérflua e desnecessária, sendo relegada a segundo plano dentro das escolas. Na área de Artes, prevaleceram sempre as Artes Plásticas em detrimento da Música. A música ficou relegada a um repertório de festinhas em datas comemorativas.
Atualmente existe um projeto de lei já aprovado que prevê a música como disciplina obrigatória nas escolas públicas, no ensino fundamental e médio. No entanto, o projeto também prevê que a música seja ministrada por professores sem formação musical.
Retomando o primeiro parágrafo, acolho a iniciativa com alegria e preocupação. Ao mesmo tempo em que há uma valorização da música, tornando-a inserida na escola, motivo da minha alegria, há também a sua desvalorização por considerar que o profissional sem formação musical possa ser responsável pelas aulas de música, motivo da minha preocupação.
Todos se lembram quando foi elaborado um documento chamado de “Referenciais Curriculares Nacionais”, os RCN’s (para a Educação Infantil) e os “Parâmetros Curriculares Nacionais”, os PCN’s (para o ensino Fundamental e Médio). Esses documentos incluem a área de música e a sua elaboração contou com a participação de educadores musicais importantes no cenário nacional. Ora, torna-se uma incoerência criar um documento nacional para nortear a Educação, em geral, e a Educação Musical, em particular e não contar com os profissionais especialistas na área para implantá-lo!
A minha alegria passa a ser pequena diante de tantos motivos para entristecer-me! É preocupante concluir que um profissional que não tem formação musical assumirá as aulas de música e será grande a chance da música continuar como está: repertório de datas comemorativas. Mas aí surge a minha maior preocupação: o surgimento dos livros didáticos e dos cursos para habilitar esse profissional para trabalhar com música!
O educador musical consciente sabe que nenhum livro didático e nenhum curso rápido habilitarão qualquer profissional que não seja da área para trabalhar efetivamente com música. Também sabe que deve defender a sua profissão e lutar para que exista o cargo de Professor de Música nas escolas, único profissional que poderá garantir um ensino musical de qualidade.
Será que podemos formar rapidamente um professor de matemática? De história? De geografia? De dança? De educação física? Será que um livro didático de matemática garante a qualidade do ensino para os alunos, usado por qualquer profissional, mesmo sem formação pedagógica na área? Sabemos que não! Por que, então, aceitamos o absurdo dos cursos e livros criados para esse fim?
A música é uma linguagem, com suas especificidades. Não podemos reduzi-la a meros exercícios de percepção sonora ou de confecção de instrumentos musicais. Seria o mesmo que reduzir o ensino da língua portuguesa ao aprendizado de regras ortográficas por alguém que sequer sabe ler!
Nós, educadores musicais, temos que lutar para que o ensino de música seja realmente inserido no currículo escolar, com qualidade, com conteúdo relevante e através do professor especialista. Não podemos aceitar que profissionais sem escrúpulos ou oportunistas usem esse momento para vender as suas idéias e seus produtos a despeito de uma ética profissional!
Se não há a possibilidade de ter o profissional adequado para ensinar música, que não se faça esse estardalhaço todo dizendo que a música voltou para as escolas! Não voltou e desse jeito, nunca voltará! Villa-Lobos, apesar de ter sido criticado por seu espírito nacionalista, foi o único que inseriu o ensino de música nas escolas.
O resto... foi só balela!

domingo, 12 de setembro de 2010

APRECIAÇÃO MUSICAL

O TRENZINHO DO CAIPIRA (H. VILLA-LOBOS)


Apreciar uma música é uma atividade que exige concentração e atenção. Uma criança dificilmente ouve música em silêncio e com atenção se não nos dedicamos a prepará-la apropriadamente para isso. Despertar o interesse pela escuta é uma tarefa que antecede a escuta propriamente dita. Assim, contar uma história, falar sobre a peça a ser ouvida de forma interessante e lúdica, envolvendo a criança para que sinta vontade de ouvir são atitudes que facilitam o processo de escuta musical.
A peça de Villa-Lobos, O Trenzinho do Caipira (a Tocata das Bachianas Brasileiras no. 2), é extensa e complexa, por se tratar de uma peça instrumental. No entanto, ela pode ser um repertório rico e interessante a ser apreciado por crianças bem pequenas.
O trem é de extremo interesse das crianças e tudo o que envolve esse assunto chama a sua atenção. Brincar de trem, ouvir histórias de trem, produzir os sons do trem (apito, o som das ferragens), é muito prazeroso e pertence ao seu repertório de brincadeiras desde muito cedo. Na escola, principalmente, brincar de trem faz parte das atividades cotidianas e auxilia no desenvolvimento de muitas habilidades.
Quando pensamos em apreciar uma obra musical instrumental, temos que envolver a criança para que consiga ouvir adequadamente, como já dissemos anteriormente. Pensando nessa peça específica, de Villa-Lobos, criamos algumas atividades:
> Brincar de trem, ouvindo uma canção cantada folclórica;
> Incluir instrumentos musicais e sons vocais na brincadeira, assim como momentos específicos da canção onde o trem para ou anda, apita ou desacelera;
> Explorar diversos materiais e instrumentos musicais para produzir os possíveis sons de um trem, observando os momentos de partida e de chegada do trem (acelerando e rallentando);
> Ouvir a peça de Villa-Lobos em momentos de relaxamento;
> Ouvir a peça novamente e fazer uma “viagem de trem” enquanto ouvem: um adulto vai à frente do trem para que possa parar e acelerar em momentos adequados da peça;
> Conversar com as crianças sobre essa “viagem” chamando a atenção para os momentos onde o trem apitou, quase parou, parou e por onde ele teria passado;
> Ouvir, novamente, imaginando a viagem de trem que estariam fazendo se fossem passageiros desse trem: o que estariam vendo pela janelinha do trem: desenhar a paisagem que estariam vendo pela janela;
> Ouvir, durante todo o processo, outros arranjos da peça: cantada por cantores diferentes, tocada com diversos instrumentos.

domingo, 6 de setembro de 2009

CONSTRUÇÃO DE INSTRUMENTOS MUSICAIS

Construir instrumentos musicais a partir de sucatas e outros materiais pode tornar-se atividade interessante para complementar algum projeto de estudo.  Além de construir, devemos usar os instrumentos em contextos musicais significativos como acompanhar canções ou criar peças musicais com as crianças. A customização do material desenvolve diversas habilidades proporcionando às crianças o contato com a pintura, a colagem, o desenho e outras técnicas artísticas, desenvolvendo ainda  a observação, a concentração, o senso estético e a cooperação entre todos no grupo.

RECO-RECOS DE BAMBU

RECO-RECOS DE BAMBU

CHOCALHOS DE CABAÇAS

CHOCALHOS DE CABAÇAS

TAMBORES

TAMBORES